segunda-feira, 11 de maio de 2009

Simplesmente


Ela costumava brincar de jogar dados quando criança, corria na rua estreita atrás deles quando eles caiam no chão. Passava tardes intermináveis na compania de pássaros contando lhes a vida... olhava o céu azul e fazia planos de um dia morar nas nuvens, sorria com um simples vento no rosto e a sua solidão não lhe incomodava, sentia se sempre acompanhada pelo vento. Desde de muito cedo, aprendeu a ler e realizava aventuras intermináveis. Tinha um cachorro cor de mel que ela amava profundamente e que conversava com ela todas as vezes que ela se sentia triste. Ela cresceu, começou a jogar jogos dados diferentes dos seus, e que muitas vezes lhe soavam estranhos. O mundo que lhe era colorido, foi se tornando aos poucos cinza e abafado e quando deu por si, viu que as coisas a sua volta estavam mudando num estalar de dedo e conseqüentemente ela foi mudando também. Se endureceu um pouco, o cachorro parou de falar com ela e logo faleceu, os pássaros que lhe traziam tanta alegria estavam cada vez mais escassos, e o bicho homem virou uma criatura complexa ao seu modo de ver. Resolveu conhecer mais o mundo e as pessoas, saiu de casa, viu e viveu coisas nunca imaginadas por ela nas suas aventuras com os livros e filmes. Chorou inúmeras vezes, se sentiu muito só, e em alguns momentos não sentia mais vontade de nada, olhava tudo a sua volta e achava degradante e feio. Não entendia porque as pessoas eram guiadas por sentimentos tão mesquinhos, inclusive ela, e qual seria afinal a utilidade da vida. Assim como uma gata de rua, aprendeu sem querer, que as vezes sentimentos e ações não tão nobres são necessárias. Perdeu e ganhou muitas coisas, e das coisas que perdeu a que mais lhe doía era a capacidade, em outrora, de ver a beleza e poesia em tudo e sorrir sem nenhum motivo aparente. Ganhou muitas outras coisas também, viveu em muitos lugares, conviveu com diversos tipos de pessoas, conversou sobre milhões de assuntos, viu imagens belíssimas se condessarem na tela a sua frente, conheceu autores que nunca imaginou existir, se apaixonou, se desapaixonou, amou e odiou com a mesma força. Chorou por coisas bobas e por coisas sérias. Sorriu e fingiu sorrir inúmeras vezes. Agora se encontrava assim parada, olhando o horizonte sem nuvens da varanda de sua casa natal. Um céu alaranjado e sem nuvens. Começou a talvez compreender sua alma e entender que na maioria das vezes viver doí.



domingo, 10 de maio de 2009

Há sol na rua
Há sol na rua
Gosto do sol mas não gosto da rua
Então fico em casa
À espera que o mundo venha
Com as suas torres douradas
E as suas cascatas brancas
Com suas vozes de lágrimas
E as canções das pessoas que são alegres
Ou são pagas para cantar
E à noite chega um momento
Em que a rua se transforma noutra coisa
E desaparece sob a plumagem
Da noite cheia de talvez
E dos sonhos dos que estão mortos
Então saio para a rua
Ela estende-se até à madrugada
Um fumo espraia-se muito perto
E eu ando no meio da água seca .
Da água áspera da noite fresca
O sol voltará em breve

Boris Vian


Monica Vitti e Alain Delon
L´aventura-Antonioni

sábado, 9 de maio de 2009

Paradis Perdu

La femme marché...
un peu seule... 
elle ouvrette son yeux
le soleil vien en son pele
un chemin
une choose 
un lieux
je ne sais pas